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Última atualização: quinta-feira, 31 de março de 2016 14:25:12
Fundação do Câncer Atualizado em 22 de junho de 2015 Notícias

Carrapatos contra o câncer

Responsável pela transmissão de inúmeras doenças entre humanos e animais, o carrapato pode ser um importante aliado no combate ao câncer. Pesquisadores do Programa de Oncobiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), financiado pela Fundação do Câncer, descobriram que uma proteína encontrada na saliva do parasita é capaz de reduzir em 80% o crescimento de tumores da pele e do cérebro em camundongos.

Coordenados pelo professor Robson de Queiroz Monteiro, os cientistas agora tentam provar que a substância pode ajudar na detecção mais precisa, em roedores, do glioblastoma, mais comum e agressivo tumor cerebral. Entretanto, ainda há uma longa distância a ser percorrida para viabilizar testes em humanos, já que serão necessários investimentos.

O pesquisador deu detalhes sobre o estudo em entrevista ao site da Fundação do Câncer.

Quais são os objetivos desta pesquisa e quais foram os resultados já obtidos?
Trabalhamos com um inibidor da coagulação sanguínea denominado Ixolaris. Esse inibidor foi caracterizado na saliva do carrapato Ixodes scapularis e mostrou potente efeito antitumoral em camundongos. Nosso grupo estudou dois tipos de tumores: melanoma (câncer que se desenvolve nos melanócitos, células responsáveis pela pigmentação da pele) e glioblastoma (tumor altamente agressivo do sistema nervoso central).

Que tipo de efeito antitumoral foi detectado no anticoagulante da saliva do carrapato?
Nos dois modelos — melanoma e glioblastoma — utilizamos linhagens altamente agressivas que foram injetadas em camundongos. O inibidor de carrapato Ixolaris reduziu em 80% o crescimento dos tumores, mas não foi testado quanto à capacidade de diminuir o tamanho de tumores já estabelecidos. O principal efeito que documentamos foi a redução da formação de novos vasos sanguíneos no tumor. O Ixolaris tem essa propriedade porque a maioria dos pacientes com câncer sofre um desequilíbrio na coagulação sanguínea, em parte devido a uma proteína denominada Fator Tecidual, presente nos tumores mais agressivos. Esse inibidor de coagulação se liga ao Fator Tecidual da célula tumoral e reduz a progressão dos tumores.

Como foram feitos os testes?
Realizamos os ensaios com cinco a dez camundongos. Os que tinham melanoma receberam a proteína por 15 dias. Já os que apresentavam glioblastomas foram testados por 30 dias. Os roedores tiveram a substância injetada por via subcutânea nos dois casos.

Pretendem chegar à fórmula de algum medicamento para combater o câncer em humanos?
Essa molécula nunca foi testada em humanos. Precisaríamos estabelecer uma parceria com alguma empresa que tenha condições de produzir a proteína em quantidade e qualidade necessárias para testes em pessoas.

 

Para continuar a leitura deste artigo, clique no link: : http://cancer.org.br/carrapatos-contra-o-cancer/

*Para ler outros textos da Fundação do Câncer, acesse o site: http://www.cancer.org.br/

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Publicado em 2 de junho de 2015 Atualizado em 22 de junho de 2015
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