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Última atualização: quinta-feira, 31 de março de 2016 14:25:12
Dr. Henrique Galvão (oncogeneticista) Atualizado em 21 de novembro de 2014 Notícias

Entrevista: Aconselhamento genético e redução dos riscos de câncer

Texto de opinião:

Em 2013 a atriz Angelina Jolie, 37, chocou o mundo ao revelar que faria a retirada preventiva do tecido mamário para reduzir o risco de câncer. A decisão de Jolie pelo procedimento se deu após um teste genético que apontou a probabilidade de ela desenvolver a doença.

A atriz procurou um oncogeneticista com base em seu histórico familiar: a mãe de Angelina morreu de câncer de ovário após lutar dez anos contra a doença. Neste ano o assunto voltou à tona quando a atriz anunciou que possivelmente passaria por outra cirurgia, dessa vez para retirar os ovários. A estratégia seria, mais uma vez, para evitar que o um câncer viesse a se desenvolver.

Para saber mais sobre oncogenética conversaremos com o oncogeneticista e geneticista, Henrique Galvão. Dr. Henrique é formado pela Universidade Federal de Minas Gerais e atua na área desde 2009.

Rede OncoVida:  Como é feito o teste genético e quais mutações ele pode detectar?

Dr. Henrique Galvão: O teste genético é feito através de tecnologia de biologia molecular e são exames que tem certa complexidade em sua realização porque a própria tecnologia e os materiais utilizados precisam ser importados.

O teste pode detectar a chamada síndrome de predisposição hereditária ao câncer. Somente uma minoria das pessoas que tiveram câncer estão incluídas nessa síndrome que pode acometer várias gerações de uma família.

Rede OncoVida:  Quem pode se submeter ao aconselhamento genético como forma de prevenção para o câncer?

Dr. Henrique Galvão: O teste não é aconselhado para a população em geral. É feita uma triagem antes da realização do teste e a indicação é feita baseada em alguns critérios. Durante a consulta de aconselhamento genético é feito o heredograma (árvore genealógica) para que sejam avaliados os casos que poderão ser indicados ao teste.

Uma vez detectado a mutação em um dos genes de predisposição, é possível definir melhor alguns tipos de câncer que uma pessoa pode desenvolver.

É imprescindível uma avaliação clínica não apenas do paciente, mas também de seu histórico familiar de algum tipo de tumor, a idade em que e o número de pessoas que foram acometidas pela mesma doença na família. Até 3 graus de ligação familiar (neto, sobrinho, primo) já se tem um quadro que se pode definir melhor uma indicação ao teste.

A maioria das pessoas que tem alguma tipo de câncer manifestam o que é chamado de câncer esporádico, ou seja, aquele tipo de câncer que não tem seu padrão hereditário bem definido. Com isso, essa avaliação clínica é muito importante e o próprio médico que está acompanhando uma pessoa com câncer já tem na sua carga teórica os sinais de alerta para se pensar em encaminhar os parentes dessa pessoa para o geneticista.

Contudo, é muito raro o paciente procurar um médico geneticista por demanda espontânea. E este também, acredito, não deve ser o melhor caminho. O ideal é conversar com o médico informando sempre o histórico familiar,  conversar com os tios e os avós a fim de buscar informações sobre seus antepassados. Essas informações serão extremamente úteis para o processo de aconselhamento genético.

Rede OncoVida:  Detectada alguma alteração, quais são as orientações para que o paciente possa iniciar a prevenção do câncer?

Dr. Henrique Galvão: Depende do tipo de alteração detectada e do tipo de gene onde esta mutação vai ser procurada e se realmente existe esta mutação. Assim que o diagnóstico de uma síndrome de pré-disposição é fechado, existem dois pontos fundamentais que precisam ser abordados junto ao paciente: a primeira delas é a questão do rastreamento. O rastreamento do câncer de mama, por exemplo, será feito com a realização da mamografia e ressonância magnética. No caso de câncer cólon retal, será feira a colonoscopia de ano em ano. Para a pessoa com Síndrome da pré-disposição, o rastreamento será mais rigoroso pra detectar certo tipo de câncer.

O segundo ponto: as cirurgias profilaxias. Esta questão levantou bastante debate na época em que a atriz Angelina Jolie anunciou a cirurgia da mama. Esta orientação, porém, é uma parte do aconselhamento muito importante em que há uma estratégia de redução do risco do câncer indicada para uma parcela muito pequena dos pacientes em aconselhamento. E, mesmo, assim a decisão pela cirurgia depende do padrão de apresentação do câncer naquela família. No caso da atriz, o risco era acima de 80% e, ainda assim, a cirurgia foi colocada como uma opção.

Rede OncoVida:  Procedimentos cirúrgicos são sempre necessários no caso de resultado positivo?

Dr. Henrique Galvão: Na verdade, são poucas as indicações para este tipo de procedimento, uma vez que a maioria dos casos de câncer é esporádica. Existem aqueles que realmente têm a mutação no gene, ainda assim são poucos os casos que recebem a indicação para a prevenção por meio de cirurgia. Esses casos são raros.

Shutterstock

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Rede OncoVida:  Além do teste genético, quais orientações que o aconselhamento genético pode dar para uma pessoa que teve um caso de câncer na família e está à procura de medidas preventivas para evitar a doença?

Dr. Henrique Galvão: De modo geral o cuidado na medicina é dividido em três níveis: o primário, o secundário e o terciário. O aconselhamento genético se encontra no nível terciário e somente pessoas que possuem um alto risco de se desenvolver um câncer chegam ao geneticista.

Nos níveis de cuidados primário e secundário o médico e outros profissionais voltados para esses níveis precisam acompanhar estas pessoas e recomendá-las indicações de hábitos de vida que podem colaborar para reduzir o índice de câncer na população.

Rede OncoVida: Quais seriam estes hábitos de vida?

Dr. Henrique Galvão: Entre esses hábitos estão: evitar o tabagismo, evitar o consumo de álcool, ter uma alimentação saudável (aumentando o consumo de frutas, legumes e verduras e reduzindo a quantidade de gordura e carnes vermelhas), praticar atividades físicas, evitando o sedentarismo.

Também existem algumas medidas de rastreamento populacional geral que devem ser consideradas: a mulher deve fazer a mamografia anualmente a partir dos 40 anos de idade e pessoas acima de 50 anos devem investigar sinais do câncer cólon retal, seja por colonoscopia ou por pesquisa de sangue oculto nas fezes, entre outros.

Outros programas de rastreamento também poderão ser utilizados para detectar aquelas famílias que representam um grupo de alto risco para desenvolvimento do câncer. O médico de atenção primária ou secundária irão avaliar a saúde desse paciente e seu histórico para, então, encaminha-lo ao geneticista.

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Publicado em 13 de agosto de 2014 Atualizado em 21 de novembro de 2014
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