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Última atualização: quinta-feira, 31 de março de 2016 14:25:12
Fundação do Câncer Atualizado em 22 de junho de 2015 Câncer

Entrevista: jornalista conta como revelou que tinha câncer ao filho de 3 anos

A jornalista Ivna Maluly, 40 anos, foi surpreendida com uma pergunta de seu filho Elias: “Cadê seu peito, mamãe?”. Como explicar a uma criança de 3 anos sobre uma doença grave? As dúvidas do menino e sua preocupação com a mãe, diagnosticada com câncer de mama em 2008, foram contadas em livro pela carioca, que vive com ele e o marido em Bruxelas, na Bélgica.

Curada desde o ano passado, Ivna ainda se emociona ao lembrar os momentos de companheirismo com Elias, hoje com 10 anos, enquanto enfrentava a doença. “Eu pretendo transmitir que o amor entre pais e filhos, amigos e até de pessoas desconhecidas pode mover montanhas. Com apoio de todos, podemos superar as dificuldades. Mesmo que a situação seja a pior possível”, diz ela.

“Cadê seu peito, mamãe?” está disponível nas livrarias brasileiras e no site da editora Escrita Fina desde 2010. No fim de abril, 500 exemplares em francês e inglês começaram a ser distribuídos em Bruxelas para entidades que atuam na luta contra o câncer. Conheça a história de Ivna na entrevista a seguir.

O que a motivou a escrever o livro?

Ivna Maluly: Acho que foi a necessidade de passar para as pessoas que o diálogo pode amenizar os problemas, sejam eles quais forem. O fato de eu explicar ao meu filho o que estava acontecendo foi muito importante no processo de aceitação da doença para mim e para a minha família. Eu já tinha tido o exemplo da minha mãe, que teve câncer de mama dois anos antes de mim. Como moro longe, fiquei louca, triste, irritada e quase não falava mais com ninguém. O meu filho, com dois anos à época, começou a empolar, ficou vermelho e não tinha remédio nem pomada que o curasse. Foi puro fundo emocional, como disse a dermatologista. A partir do momento em que eu expliquei para ele que a mamãe estava triste por causa da vovó mas que tudo ia ficar bem, ele melhorou. Quando eu fiquei doente, não quis repetir a experiência. Fui logo explicando. Quando eu ia aos médicos, não podia pegá-lo no colo porque o braço estava doendo. E ele foi se acostumando. As crianças têm um poder fenomenal em se adaptar às situações, sobretudo quando é explicado.

Que mensagem pretende transmitir ao público?

Eu pretendo realmente transmitir que o amor entre pais e filhos, amigos e até de pessoas desconhecidas pode mover montanhas. Com apoio de todos e especialmente o apoio que damos a nós mesmos, podemos superar dificuldades. Mesmo que a situação seja a pior possível.

Como fez para tratar de um tema delicado ao se comunicar com as crianças no livro?

Usei da minha própria experiência. O livro é uma história fidedigna. Na verdade, escrevi toda a minha trajetória desde a descoberta da doença até antes da reconstrução mamária. São vários minicontos que poderiam dar um livro maior. Mas pincei esta história pois achava que a ausência de um seio para uma mãe e uma criança que foi amamentada é muito importante. É o símbolo mais lindo para os dois. É a ligação que une esses dois seres. Mais do que perder o cabelo, mais do que ficar gorda, mais do que ficar cansada. O seio é o seio. Quando fui ter o Elias, li muito, e nos livros estava escrito que a criança entende as coisas com palavras de crianças. Não adianta querer explicar tudo ou esconder tudo.

Escrever foi uma forma de se desvencilhar de pensamentos negativos durante o tratamento?

Sim. Fui orientada na época a escrever pelo meu psicoterapeuta, um cara extraordinário. Claro que os pensamentos negativos vêm sempre! A palavra câncer ainda é pesada. Até que você entre numa zona de não perigo, a angústia é presente. Então, ele falou: “Ivna, vamos fazer deveres de casa. Está bem?”. Eu topei, e assim foi nascendo o livrinho e outros mais que já foram publicados.

Em que momentos você parava para escrever?

Quando me sentia bem. Às vezes, com a quimioterapia, eu me desconcentrava rapidamente e não conseguia ficar muito tempo na frente de uma tela de computador. O livro, depois de pronto, foi lido por alguns especialistas em câncer, que foram falando da importância de colocar a palavra câncer no texto e em quais momentos. Foram me dando algumas dicas e me apoiando para publicá-lo. Eu não sabia se a minha história poderia agradar, se ela realmente passaria uma mensagem positiva ou negativa. Finalmente, deu certo!

Como foi o momento em que explicou ao seu filho que não tinha um dos seios?

Quando eu saí da sala de cirurgia, nunca pensei que sairia sem o seio. Vi o patologista ir embora com uma caixa onde o meu seio estava. O cirurgião veio e me explicou que infelizmente tiveram que fazer uma mastectomia radical, mas que os linfonodos não tinham sido infectados. Três dias depois de sair do hospital, falei com o meu marido e estávamos pensando numa forma de explicar o que havia acontecido. Foi quando a minha irmã estava fazendo o meu curativo no banheiro e ele entrou e viu tudo. Logo, colocou a mãozinha na minha pele e perguntou: “Cadê o seu peito, mamãe? Está doendo?”. Foi aí que tive de contar que, quando eu estava no hospital, o médico descobriu que a mamãe estava com uma doença chamada câncer e que ela era malvada. Por isso, tirou o seio. Mas que ele ia voltar um dia… A preocupação dele durante muito tempo era saber se o seio tinha voltado. Por isso, várias vezes vinha me ver e verificar se estava lá de volta.

Quando o livro foi lançado no Brasil, Elias tinha apenas 5 anos. Ele já leu a história? Como reagiu?

Elias já leu e já escutou várias vezes em leituras com crianças. Ele sabe tudo e, há até bem pouco tempo, queria saber se o seio tinha voltado. Se realmente o que eu tinha falado, que o peito voltaria, era verdade. Quando reconstruí a mama, ele se acalmou. E hoje está ótimo. Agora que está com dez anos, me perguntou: “Mãe, então quer dizer que você poderia ter morrido? Você teve câncer…”. Eu falei: “Sim, meu amor. Mas a medicina está avançada e a mamãe fez tudo o que o médico mandou. E hoje estou bem”. Ele disse “ufa”. A cada vez que eu lia a história, ele sorria. Gostava de saber que era o personagem principal. E que, ao me ver bem, aquilo já eram águas passadas. Hoje, ele até fica sem graça quando falamos do peito. Quer se esconder. Aí vejo que ele começa a crescer…

 

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Publicado em 2 de junho de 2015 Atualizado em 22 de junho de 2015
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